2 de abril de 2008

Ciência e política, duas vocações (III)

(Continuação da postagem anterior.)

Analisaremos, agora, as diferentes formas dos partidos na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Alemanha.

Na Inglaterra, até 1868, a organização dos partidos era basicamente feita através do agrupamento de "homens de importância". Desta forma, agrupavam-se ferreiros, chefes de estações ou, em outras palavras, pessoas que poderiam influenciar outras. Acima destes partidos, estavam o Parlamento e os partidos dirigidos pelo Gabinete e seu líder. Este líder era ajudado por um "orientador", que detinha o monopólio dos empregos, que deveria ser procurado por todos os que pretendiam uma posição política e que as distribuía. Além disto, havia o election agent, que era uma pessoa encarregada das despesas eleitorais. Esta pessoa exigia que o candidato declarasse quanto gastou na campanha.

A partir de 1868, iniciou-se o sistema de caucus, que pretendia atrair as massas para o evento político, burocratizando-as. Com o aumento de pessoas relacionando-se com a política, aumentou também o número de pessoas remuneradas pelas comissões locais. Esta nova forma de organização política entrou em choque com o modelo antigo e, principalmente, com o "orientador". Com a vitória do novo modelo, o "orientador" teve de submeter-se e, com isto, o poder ficou centralizado na mão de alguns homens, ou melhor, na mão de um único homem, o chefe do partido político.

A vitória deste novo modelo, empreendida por Gladstone, baseou-se principalmente na demagogia do mesmo, na crença das massas no conteúdo moral de sua política e, sobretudo, ao moralismo de Gladstone.

Existem muitas pessoas ligadas a este novo modo de política inglês. Além disto, o número de pessoas esperando por uma chance no mesmo é muito maior, em razão dos atrativos políticos oferecidos. Desta maneira, estas pessoas podem nutrir as mais altas ambições, como se transformar em chefe do parlamento.

O resultado deste sistema é que as pessoas viraram máquinas para votar, extremamente disciplinadas. O parlamentar nada mais tem a fazer, a não ser votar e não trair seu partido. Desta maneira, quem realmente manda é o líder, pois é ele quem orienta as massas.

Nos Estados Unidos era um pouco diferente. Segundo Washington, os EUA deveriam ser dirigidos por gentlemen. Em princípio, este gentleman era um proprietário rural ou alguém que estudou em alguma universidade, assim como na Inglaterra. Por volta de 1820, contudo, já era possível notar o aparecimento da máquina dos partidos em vários municípios. Pouco depois de 1840, os principais dirigentes do Parlamento retiraram-se do mesmo, tendo em vista o poder que os partidos políticos possuíam. Isto aconteceu porque o chefe do Executivo era quem distribuía os empregos, era eleito por plebiscito e, além disto, tinha uma independência quase que completa do Parlamento, no que se refere ao exercício de suas funções. Isto era chamado de spoil system.

O que significa este spoil system atualmente? Significa que os partidos simplesmente opõem-se a si próprios com o objetivo único de disputa de postos. A estrutura dos partidos subordina-se à batalha eleitoral pelos cargos de presidente e senadores. Esta disputa é acirrada pelo fato de o presidente poder nomear de trezentos a quatrocentos mil cargos, com a aquiescência dos senadores. Neste aspecto, a Câmara de Representantes (deputados federais) tem pouco poder, tendo em vista que os ministros, nomeados diretamente pelo presidente eleito, podem exercer suas funções sem nenhuma investigação.

Deste sistema político surgiu o boss, que é o indivíduo responsável pela captação de recursos, tanto eleitorais quanto financeiros. O boss utiliza-se de sua profissão para conseguir um número razoável de votos, além de conseguir recursos para financiar a campanha de seu partido. É o quem coleta diretamente os fundos que os grandes empresários destinam à organização. São homens que não buscam honrarias ou ascensão ao poder próprio. Cargos, só o de senador. Não aparecem, porém estão por trás de tudo, aconselhando. Não se apegam a doutrinas políticas, preocupando-se apenas em como conseguir mais votos. São encarados como "profissionais", "políticos profissionais", e são desprezados pela "alta sociedade". Os bossbosses podem indicar figuras estranhas ao meio político como candidatos apenas por entenderem que podem aumentar as probabilidades eleitorais do partido.

Esta empresa política é dotada de forte estrutura capitalista, rigidamente organizada de alto a baixo e apoiada em associações extremamente poderosas. Entretanto, este modelo não conseguirá sustentar-se por muito tempo, e está morrendo lentamente. Com a Civil Service Reform, estão sendo criadas posições de funcionário de carreira, com aposentadorias. Atualmente, cerca de 100 mil cargos já são destinados a estes funcionários de carreira, com a exigência de serem formados em universidades. Estes cargos, portanto, fazem exigências de qualificação.

(Continua na próxima postagem.)


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