16 de abril de 2008

Partidos e sistemas partidários brasileiros (III)

(Continuação da postagem anterior.)

Partidos Progressistas

No PTB, três facções podem ser distinguidas: os sindicalistas, os ideólogos-doutrinários e a ala pragmática-getulista. Vargas foi o presidente de honra até sua morte; após, a liderança dividiu-se entre as três facções.

Apesar de ser chamado de "o partido dos trabalhadores", o PTB era formado em sua maioria por representantes da classe média e alta. Seus níveis de educação e localismo foram baixos. Os petebistas tinham carreiras curtas e chegaram à Câmara muito jovens. Além de cargos de deputados, outros cargos comuns foram o de prefeitos e cargos federais.

Em geral, o estilo do PTB foi muito eficaz em termos de promover rapidamente seus membros ao Congresso Nacional ainda muito jovens. Este estilo de recrutamento político devia-se à expansão muito rápida e ao fato de o partido ter sido beneficiado pela proscrição do PCB em 1948. Em 1959-60 houve um racha no PTB. Seus dissidentes saíram do partido e formaram o MTR, Movimento Trabalhista Renovador, e elegeram 3 deputados e um senador.

Outro partido progressista importante foi o PSP. Era formado por agricultores, profissionais da saúde, comércio-bancos-finanças, jornalistas e até militares. Seus níveis de educação e localismo foram baixos. Seus integrantes tinham carreiras medianas e chegaram à Câmara em idades medianas. Aproveitaram mais ou menos em igualdade os cargos eletivos e administrativos.

Um terceiro partido progressista importante foi o PST. No início era formado exclusivamente por agricultores; depois passou a alinhar-se mais com o trabalhismo e o populismo das áreas urbanas do Centro-Sul. Seus níveis de educação e localismo foram baixos. Seus integrantes tinham carreiras longas e bastante institucionalizadas nas administrações federal, estadual e municipal.

O penúltimo dos partidos progressistas é o PTN. Tinha uma forte base no estado de São Paulo. Seu perfil ocupacional conta com advogados, profissionais de saúde, comércio-bancos-finanças e jornalistas. Tem nível educacional baixo e localismo mediano. Apresenta recrutamento lateral, porém mais por vias eletivas, concentrando-se nas assembléias estaduais, nas administrações federais e estaduais e em cargos eletivos locais.

O último partido progressista, o PRT, foi a menor agremiação do período. Geralmente este partido apoiava o PSP em coligação. Seus integrantes eram oriundos dos setores indústria-transporte e jurídico, tinham um localismo alto e nível educacional baixo, sem carreiras prévias e chegaram à Câmara dos Deputados em idades muito avançadas.

Os Partidos Ideológicos

O PCB foi o primeiro partido ideológico a se formar. Em princípio, o partido fazia oposição a Vargas, mas depois passou a apoiá-lo com o "queremismo". Com a queda de Vargas, lançou seu próprio candidato a presidente da República, mas voltou à sua origem oposicionista devido ao cerco do governo Dutra.

Seus integrantes eram, na sua maioria, operários do setor indústria-transportes, além de profissionais da saúde e imprensa. O nível educacional era baixo e não tinham raízes locais. A carreira foi curta, entraram para a política mais jovens do que todos.

O desaparecimento do PCB não fortaleceu o PSB. Neste partido, a maioria dos deputados vinha da burguesia nacional, além de advogados e professores. Tinham um alto grau de localismo e um baixo nível de educação, além de carreiras curtas e entrada na política em idades avançadas. Usufruíram mais de cargos eletivos do que administrativos.

O PDC apresentava advogados e militares em seus quadros. Os dados de carreira política e idade sugerem indivíduos que rapidamente escalaram cargos administrativos até chegas à Câmara. O partido estava constituindo uma base popular rapidamente devido à sua intensa mobilização entre os jovens, além da ação comunitária.

O PRP tinha baixos níveis de educação e localismo. Seu perfil ocupacional era singular: jornalistas e indústria-transportes mas, diferentemente do PCB, não eram operários e sim empresários do setor. Seus deputados tinham carreiras longas, através de cargos eletivos.

O último partido ideológico foi a ED, mas não teve grande expressão no cenário político brasileiro.

(Continua na próxima postagem.)

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