15 de setembro de 2007

Formação econômica do Brasil (I)

A partir de hoje, estarei iniciando uma nova série acadêmica, tratando da formação econômica do Brasil. Para tanto, vou publicar aqui as principais idéias de um livro fundamental para a formação acadêmica do brasileiro: chama-se "Formação econômica do Brasil", de Celso Furtado.

Celso Monteiro Furtado (Pombal, 26 de julho de 1920 -- Rio de Janeiro, 20 de novembro de 2004) foi um importante economista brasileiro e um dos mais destacados intelectuais do país ao longo do século XX. Suas idéias sobre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento divergiram das doutrinas econômicas dominantes em sua época e estimularam a adoção de políticas intervencionistas sobre o funcionamento da economia. Participou do governo Juscelino Kubitschek e foi um dos principais idealizadores da SUDENE.

Capítulo 1 -- Da Expansão Comercial à Empresa Agrícola

A partir do “descobrimento” da América e do Brasil, tanto Portugal quanto a Espanha começaram a sofrer pressões dos outros países europeus -- principalmente Holanda, França e Inglaterra -- para que os países ibéricos efetivassem a colonização do continente recém descoberto.

Contudo, se pelo lado espanhol havia boas recompensas -- pois a pilhagem do ouro das civilizações indígenas existentes era relativamente fácil --, pelo lado português a coisa era mais complicada, pois Portugal não poderia investir na colonização brasileira sem desviar recursos de suas colônias na África e na Ásia, que na época davam os maiores lucros.

Desta forma, Portugal resolveu arriscar a agricultura no Brasil, com o objetivo de que a própria agricultura oferecesse os subsídios para sua exploração.

Capítulo 2 -- Fatores do Êxito da Empresa Agrícola

Três foram os principais fatores para o êxito da empreitada portuguesa do açúcar no Brasil: em primeiro lugar, a tecnologia e a experiência obtidas na produção de açúcar nas ilhas do Atlântico.

Esta experiência valeu mais pelo lado comercial, pois os portugueses já tinham um “acordo” com os holandeses, os quais controlavam o comércio do produto português/brasileiro. Os holandeses, ainda, tinham como objetivo evitar a superprodução, o que ocasionaria a queda no preço.

Em segundo lugar, os holandeses entraram também com financiamento da maquinaria para a produção de açúcar do Brasil. Os holandeses não só refinavam e comerciavam o açúcar, como também compravam os equipamentos necessários para a indústria açucareira.

O último fator do êxito português foi o seu conhecimento do tráfico de escravos africanos, que foram utilizados como mão-de-obra. Não era viável trazer mão-de-obra européia.

Capítulo 3 -- Razões do Monopólio

A Espanha, durante os três primeiros séculos de colonização, ficou dependente das remessas constantes de metais preciosos por parte de suas colônias americanas, e não investiu na agricultura, apenas na mineração. Este foi o principal fator de sucesso dos portugueses, pois os espanhóis possuíam mais terras, “seus” índios eram de maior capacidade agrícola e o ouro retirado da colônia poderia ter sido utilizado como investimento na agricultura.

Capítulo 4 -- Desarticulação do Sistema

Com a união de Portugal e Espanha, os espanhóis aplicaram no Brasil a mesma política colonizadora que aplicavam às suas próprias colônias.

Juntando-se a isto, com a guerra entre Espanha e Holanda, os holandeses invadiram o Brasil e “roubaram” toda a técnica da agricultura açucareira, e utilizaram estes conhecimentos no Caribe, para onde se transferiram após sua expulsão do Brasil. Como os holandeses já dominavam o comércio açucareiro, a concorrência passou a ser forte, pois o açúcar holandês era melhor e mais barato que o açúcar português.

Referências bibliográficas:

FURTADO, Celso. “Da expansão comercial à empresa agrícola”, “Fatores do êxito da empresa agrícola”, “Razões do monopólio” e “Desarticulação do sistema”. In: _____. Formação econômica do Brasil. 19ª Ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1984. Pág. 5-8, 9-12, 13-15 e 16-18, respectivamente.


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