28 de setembro de 2007

História do pensamento econômico (VI)

Dando continuidade à série "História do pensamento econômico", coloco abaixo mais itens que compõem a chamada "escola marxista da economia", cujo principal representante é Karl Marx.

O Capital

A principal publicação de Marx foi O Capital, volumosa obra em 4 volumes, tendo o primeiro sido publicado em 1867 e o último em 1910, já depois da morte de Marx.

Como já foi dito, Marx admitia que o capitalismo tinha tido um papel progressista, fazendo avançar a sociedade em termos econômicos e igualmente em termos políticos. Mas o capitalismo também estava destinado a desaparecer e, para isso, Marx apresentou vários argumentos.

Marx entendia que uma das principais contradições do modo de produção capitalista estava entre a natureza privada da propriedade do capital e a natureza social do trabalho. Os capitalistas apropriavam-se, indevidamente, de uma parte da riqueza criada pelo proletariado, que designou como mais-valia.

Retomando a análise dos economistas clássicos, e particularmente de Ricardo, afirmou que, da riqueza total criada pelo processo produtivo, uma parte servia para pagar a subsistência dos trabalhadores (salários), outra para repor o capital inicialmente utilizado, e sobrava uma última parte de que os capitalistas, indevidamente, se apropriavam. Todavia, enquanto os clássicos entendiam como normal que esse “excedente” fosse entregue aos proprietários do capital (terras, máquinas), Marx entendia que essa mais-valia era devida aos proletários, pois eram eles que criavam a riqueza. O problema da propriedade do capital era resolvida por Marx de uma forma radical: ela deveria ser retirada aos capitalistas e passar a propriedade coletiva.

Assim, ao contrário dos economistas clássicos, Marx não só aceitava a intervenção do Estado na Economia, como achava mesmo que toda a economia deveria ser dirigida pelo Estado. Claro que este Estado, segundo Marx, deveria ser dirigido pelo proletariado através do seu partido. Quando este processo de transição da propriedade estivesse concluído, deixaria de haver burguesia e deixaria igualmente de haver luta de classes.

O Fim do Capitalismo

A necessidade de retirar a propriedade do capital à burguesia impunha que, através da luta política, o proletariado lutasse para tomar o poder político. No entanto, independentemente dessa luta o capitalismo teria de desaparecer, segundo Marx. Um dos argumentos apresentado por Marx a favor desta tese foi ao da lei da queda tendencial da taxa de lucro. Através duma argumentação baseada num modelo matematizado, Marx julgava ter provado que esta tendência de longo prazo da taxa de juro para diminuir acabaria com o capitalismo -- já que o lucro, segundo ele, era a principal razão que movia os capitalistas.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que taxa de lucro diminuía, os capitalistas ver-se-iam obrigados a explorar cada vez mais o proletariado (que nessa altura se encontrava sujeito a condições de exploração muito desumanas) e o resultado disto seria a inevitável revolta das massas trabalhadoras contra a burguesia capitalista.

A argumentação de Marx baseava-se na previsão de que a quantidade de capital físico aumentava mais do que proporcionalmente do que a mão-de-obra, e seria este simples fato que levaria a taxa de lucro a diminuir. Sabemos hoje que esta acumulação de capital, em vez de fazer diminuir a taxa de lucro, permitiu às economias capitalistas gerar uma quantidade de riqueza suficiente para manter o motor do lucro e melhorar as condições e trabalho dos assalariados, que hoje trabalham muito menos horas e recebem remunerações muito maiores - processo que é ainda mais evidente nos países em que se realizou maior acumulação de capital.

(Continua na próxima postagem.)

Referências bibliográficas:

CANO, Wilson. Introdução à economia: uma abordagem crítica. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1998.

SAMUELSON, Paul A. & NORDHAUS, William D. Economia. 12ª Edição. Lisboa: McGraw-Hill, 1988.


Postar um comentário