12 de dezembro de 2008

Humanismo e Política (II)

A Europa não é mais uma região organizada hierarquicamente, como na Idade Média. Os homens passam a organizar-se em Estados, os quais não são governados pelo Papa, e sim por indivíduos que se manifestam na política. Os Estados não são mais pequenos Estados, e sim países com grande extensão territorial.

O rei passa a ser o soberano supremo do Estado, baseando-se no regime da monarquia absolutista. É interessante notar que o rei torna-se uma espécie de “senhor feudal”, tendo por base os “vassalos”, que eram os antigos senhores feudais propriamente ditos. Vale destacar ainda a influência do patriotismo na consolidação dos Estados nacionais.

O Estado absolutista é um estado guerreiro, no sentido de que iniciam-se diversas guerras entre os recém formados Estados tendo em vista a conquista de novos territórios, além das disputas econômicas e políticas. Mesmo sendo uma unidade territorial, a monarquia absolutista é marcada por diversos particularismos, tendo cada ordem, cada instituição uma certa autonomia própria; e é baseando-se nestas disputas internas que o rei governa. Além disto, há ainda uma certa disputa entre as diversas famílias feudais, que anseiam por manter seu domínio dentro do seu território.

Outra luta importante a se destacar é a que ocorreu entre burguesia e nobreza. Neste caso, o fiel da balança é o rei, pois o mesmo precisa tanto de uma quanto da outra. A burguesia necessita do rei para poder obter concessões comerciais de monopólios, hipotecas dos domínios reais, proteção contra as leis da Igreja contra a usura e contra os entraves senhoriais ao comércio. Por outro lado, o rei necessita do dinheiro trazido pela burguesia, para poder financiar seu exército permanente, além de a burguesia ser uma aliada contra a nobreza.

Entretanto, o rei também precisava da nobreza, pois era esta quem realmente tinha contato com a população. Além disto, a nobreza não poderia “lutar” diretamente contra a burguesia sem o apoio do rei. Vale lembrar ainda que a nobreza considerava apenas os seus afazeres realmente nobres, e passam a utilizar estes atributos para diferenciarem-se da burguesia. O nobre passa a solicitar cargos políticos, como o governo de uma província ou de uma companhia.

A monarquia que mais se destacou no período absolutista foi a francesa. O poder do rei é reconhecido de direito; sua soberania é um legado divino; o rei é responsável apenas perante Deus; detém todos os poderes, pode declarar guerras e fazer a paz; pode lançar impostos a seu bel-prazer, pode legislar e julgar. Sua única obrigação é respeitar os contratos e os costumes, além de dever defender a Igreja contra a heresia.

É importante notar que a Igreja está abaixo do poder do rei: os bispos e padres são “vassalos” do mesmo. Os senhores feudais também estão abaixo do rei: no reino só existem vassalos. O rei implanta a política econômica do mercantilismo, tendo em vista a acumulação de metais preciosos.

Entretanto, mesmo com este poder absolutista, o rei acaba não mandando sempre, devido às enormes distâncias e à péssima qualidade de comunicação. Como conseqüência, as instituições locais conservam muito da iniciativa dentro de suas províncias.

Vale ainda destacar o peso das guerras religiosas no sentido de desenvolver ainda mais o absolutismo, pois os indivíduos perseguidos exilavam-se em outros Estados, fazendo com que o governo francês regulasse cada vez mais a vida industrial, política e econômica do Estado.

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