8 de setembro de 2007

Formação do estado no Brasil (V)

Conforme apresentado nas postagens anteriores, dou continuidade ao texto que remete à formação do estado no Brasil.

(Continuação)

CONCLUSÃO

Com a Independência, eram cidadãos apenas aqueles que faziam parte da aristocracia agrária, bem como os membros da elite política do país, em nível imperial e em nível provincial. Naquele momento, a formação do sentimento de nação nos membros desse estamento era primordial, tendo em vista o fato de que o poder emanaria de dentro do país e haveria a necessidade de uma coesão interna, objetivando atingir metas tais como a consolidação do próprio país como entidade internacional independente, a manutenção dos vínculos econômicos com o exterior e a manutenção da estrutura social colonial, em âmbito interno. Essa coesão da elite foi obtida não apenas devido às metas comuns, mas também outros fatores contribuíram para tal coesão, como por exemplo a homogeneidade da elite por meio da educação, em Coimbra.

Obviamente, o processo de evolução da sociedade brasileira faria surgir novos atores no cenário político, social e econômico. Com a lenta, porém crescente, urbanização do país, o comércio urbano também passou a se desenvolver, criando um novo estamento na sociedade brasileira -- a burguesia urbano-comercial. Essa burguesia, cujos objetivos eram diferentes dos objetivos da aristocracia agrária, aliou-se aos representantes do capitalismo internacional, no sentido de fazer com que as relações econômicas no Brasil se orientassem de forma capitalista e não semicolonial como estava acontecendo naquele momento.

Esses dois blocos antagônicos objetivavam, ainda que inconscientemente, a manutenção da coesão nacional, já que, para os aristocratas agrários, era necessária a existência de um poder regulador centralizado, que mantivesse o país unido, de forma a não trazer sobressaltos para a economia do país. Já a burguesia urbano-comercial também se beneficiaria com a manutenção da coesão nacional, já que o crescimento do país garantiria o mercado consumidor que tal burguesia precisava para se expandir ainda mais.

Assim, partindo de objetivos diferentes, os dois grupos antagônicos da segunda metade do século XIX no Brasil buscavam o fortalecimento do sentimento de nação no país, e por sua vez esse sentimento, garantindo a união e a ação social por meio de um quadro de referência relativamente semelhante a todas as pessoas, faria com que uma das duas ordens propostas -- a semicolonial e a capitalista -- se firmasse como o “padrão” do desenvolvimento econômico brasileiro.

Com a “vitória” da burguesia urbano-comercial e o coroamento dessa vitória com a abolição da escravatura e com a proclamação da República, o sentimento de nação torna-se fundamental para a consolidação da estrutura capitalista no país. A necessidade de maior participação popular também reforça esse sentimento de nação, que por sua vez fortalece o capitalismo, já que agora passam a existir “laços naturais”, como diria Bobbio (naturais, ainda que não iguais) entre a população brasileira.

Referências bibliográficas:

BOBBIO, Norberto. Dicionário de política. Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino. 11ª Ed. 2 vol. Brasília: Ed. UnB, 1998.

CARVALHO, José Murilo de. A construção da ordem: a elite política imperial. Brasília: Ed. UnB, 1981.

FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. 19ª Ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1984.

HISTORIANET. O processo de independência do Brasil. Disponível em: http://www.historianet.com.br/main/conteudos.asp?conteudo=3. Acessado dia 14 de janeiro de 2003.

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. 22ª Ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1982.


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